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Escrito pela equipe Minha Tireoide Atualizado em como produzimos e revisamos

Cintilografia explicado

A cintilografia mostra quais partes da tireoide estão captando iodo. Serve para descobrir a causa do hipertireoidismo, não para avaliar risco de câncer.

Como esse resultado é apresentado

Sem valor de referência único — o laudo descreve o padrão de captação do radiofármaco (homogêneo, difusamente aumentado, nódulo hipercaptante ou hipocaptante, captação reduzida) e, quando medida com iodo, o percentual captado em 24 horas.

Exame de imagem

Cintilografia da tireoide

A cintilografia funciona porque a tireoide é praticamente o único tecido do corpo que sequestra iodo ativamente. O paciente recebe uma pequena quantidade de material radioativo, iodo ou tecnécio, e uma câmera detecta onde ele se concentrou. O resultado é um mapa funcional: em vez de mostrar como a glândula é, ele mostra o que cada parte dela está fazendo. Nenhum outro exame de tireoide dá essa informação.

A aplicação central é definir a causa de uma tireotoxicose. Se o TSH está suprimido e os hormônios altos, existem dois mecanismos possíveis: a glândula está produzindo demais ou está apenas liberando o que tinha estocado por causa de inflamação. Captação difusa e aumentada aponta doença de Graves; captação concentrada num nódulo, com o resto da glândula apagado, aponta nódulo autônomo; captação reduzida ou ausente aponta tireoidite, excesso de iodo ou uso de hormônio por fora. A distinção muda o tratamento por inteiro, já que uma situação pede medicação antitireoidiana e a outra se resolve com o tempo.

Vale saber o que a cintilografia não faz. Ela não avalia risco de câncer nem substitui o ultrassom, tem resolução baixa para nódulos pequenos e não guia punção. O nódulo que capta, chamado de quente, tem probabilidade muito baixa de ser maligno e por isso costuma dispensar punção; o nódulo frio, que não capta, é o padrão da maioria dos nódulos, incluindo a grande maioria dos benignos, e por isso significa pouco isoladamente. Quando o TSH está normal, a cintilografia raramente acrescenta algo à investigação de um nódulo.

O percentual de captação depende do radiofármaco, do protocolo do serviço e da quantidade de iodo na dieta da população, e por isso as faixas variam bastante entre laboratórios de medicina nuclear. Um valor que é normal num serviço pode estar fora da faixa em outro. Use a referência do seu laudo.

O que o seu resultado pode indicar

Escolha como o CINT veio no seu laudo. Nenhum resultado isolado fecha diagnóstico.

Como não há número para classificar, alto aqui é a captação aumentada, o achado que indica produção hormonal acelerada e costuma exigir tratamento. Um padrão difuso e intenso em toda a glândula é característico da doença de Graves. Um foco único hipercaptante, com o restante do tecido apagado, indica nódulo autônomo, que funciona sem obedecer ao TSH. Nos dois casos a informação é sobre mecanismo, e a escolha entre medicação, iodo radioativo e cirurgia é feita com o médico.

Situações que podem gerar esse padrão

  • Doença de Graves, com captação difusa e homogeneamente aumentada.
  • Nódulo autônomo único, o clássico nódulo quente.
  • Bócio multinodular tóxico, com vários focos captantes e áreas apagadas entre eles.
  • Deficiência de iodo na dieta, que aumenta a avidez da glândula pelo iodo disponível.

Perguntas para levar ao médico

  • O padrão da captação aponta Graves ou nódulo autônomo?
  • Esse resultado muda as opções de tratamento disponíveis para mim?
  • Se é um nódulo quente, ainda preciso de punção?
  • Preciso de algum preparo com iodo antes de um eventual tratamento?

A interpretação depende do quadro completo, do histórico e dos outros exames. Um valor fora da referência não significa doença, e um valor dentro dela não exclui o que você está sentindo.

O que pode alterar o resultado

Fatores que mudam o número sem que exista doença da tireoide.

  • Contraste iodado usado em tomografia recente satura a glândula e pode inviabilizar o exame por semanas ou meses.
  • Amiodarona, xaropes e antissépticos com iodo, e suplementos com algas, que reduzem a captação de forma prolongada.
  • Medicação antitireoidiana em uso, que altera o resultado e costuma exigir suspensão orientada antes do exame.
  • Levotiroxina em uso, que suprime o TSH e reduz a captação do tecido normal.
  • Gravidez e amamentação, situações em que o exame com iodo radioativo é contraindicado ou exige interrupção temporária da lactação.
  • Dieta com muito ou muito pouco iodo, que desloca o percentual captado sem que exista alteração da glândula.

Costuma ser avaliado junto com

Combinações que envolvem este exame

Como o resultado conversa com os outros exames do painel.

Perguntas frequentes

A cintilografia da tireoide é perigosa?
A dose de radiação usada no exame diagnóstico é pequena e o procedimento é bem estabelecido. É bem diferente do tratamento com iodo radioativo, que usa doses muito maiores. As restrições verdadeiras são gravidez e amamentação, e nesses casos o exame é adiado ou substituído.
Qual a diferença entre cintilografia e ultrassom?
O ultrassom mostra estrutura: tamanho, textura, contornos e características dos nódulos. A cintilografia mostra função: quais áreas captam iodo e quais não captam. Um responde a pergunta sobre risco de câncer, o outro sobre a causa do excesso de hormônio, e eles não se substituem.
Preciso de preparo antes do exame?
Sim, e ele importa. Costuma-se evitar alimentos e produtos ricos em iodo por alguns dias, informar todos os medicamentos em uso, e às vezes suspender temporariamente antitireoidiano ou levotiroxina sob orientação médica. Tomografia com contraste iodado nas semanas anteriores pode adiar o exame. O serviço de medicina nuclear passa a lista específica.
O que quer dizer nódulo quente e nódulo frio?
Quente é o nódulo que capta mais radiofármaco que o tecido ao redor, sinal de que produz hormônio por conta própria; ele tem risco muito baixo de malignidade e em geral dispensa punção. Frio é o que capta menos ou nada, padrão da maioria dos nódulos, benignos inclusive. Ser frio não indica câncer, apenas não afasta a necessidade de avaliar por ultrassom e punção.
Todo nódulo precisa de cintilografia?
Não. O exame é indicado principalmente quando o TSH está baixo, situação em que faz sentido procurar um nódulo autônomo. Com TSH normal, as diretrizes não recomendam cintilografia na avaliação de nódulo, porque ela não distingue benigno de maligno e adiciona radiação sem ganho.

Condições relacionadas

Esta página é educativa. Ela ajuda você a entender o que está no seu exame ou laudo, mas não substitui a avaliação de um profissional de saúde e não serve para fechar diagnóstico.

Referências e revisão

  • Diretrizes para diagnóstico e manejo do hipertireoidismo e outras causas de tireotoxicose — American Thyroid Association, 2016
  • Diretriz para o manejo do hipertireoidismo de Graves — European Thyroid Association, 2018
  • Diretrizes para o manejo de nódulos tireoidianos e câncer diferenciado de tireoide — American Thyroid Association, 2015

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